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Camélia

Nome científico: Camellia Japonica

Família: Theaceae 

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"O perfume delas é talvez a cor", escrevia o poeta Pedro Homem de Mello a propósito das camélias. Planta de origem distante, prefere a sombra à luz da manhã, que povoa os jardins públicos e privados de nossos jardins desde há muitas décadas. Em largos períodos do século XX, marcado pela guerra, perdeu admiradores e o título de "rainha". Mas está de volta e recupera o prestígio perdido - a beleza, essa, nunca a perdeu.

Poucas flores podem ser consideradas tão fidalgas quando a camélia, cuja linhagem remonta a muitos séculos, na China, Japão e Coréia. Favorita dos mandarins e monges chineses, curiosamente ela é associada a dois personagens completamente diferentes: um simples padre jesuíta, cujo nome, Georg Kamel, deu origem ao nome desta planta e uma bela cortesã francesa, Marie Duplessis, que o famoso escritor Alexandre Dumas imortalizaou com o nome de Marguerite Gauthier, em seu célebre romance A Dama das Camélias, por volta de 1840. 

Georg Kamel nasceu na Morávia em 1660. Na China onde foi trabalhar como missionário, encantou-se por uma flor cultivada pelos chineses, que passou a divulgar. Muito respeitado no círculo botânico, com inúmeros trabalhos publicados, somente trinta anos após a sua morte foi homenageado: a flor que tornara conhecida recebeu o seu nome. Como o latim não tem a letra *K*, ela foi substituída pelo *C*, dando origem a Camellus. Assim surgiu a palavra Camellia. 

As Camélias em Portugal, na cidade do Porto 

No Guia do Viajante do Porto, editado em finais do século XIX, Alberto Pimentel não tinha dúvidas: " Se a Dama das Camélias de Dumas filho não vivesse em Paris, viveria de certo no Porto, terra onde as camélias nascem numa abundância e formosura incomparáveis." A camélia, trazida da China e do Japão, encontrou terra amiga também em Portugal.


Na capital do reino, no entanto, por razões de solo e de clima, era extremamente difícil prolongar a vida a uma camélia por mais de um ano. Por serem raras, eram vendidas a "alto preço". As damas de Lisboa, escreveu Alberto Pimentel, "adoram, pois, as camélias sem as possuir; os poetas da capital cantam-nas sem as conhecer".

Na cidade do Porto, contrapunha o autor de Guia do Viajante , toda a gente conhecia estas flores. Toda a gente as oferecia. No Porto havia José Marques Loureiro, horticultor e jardineiro multiplicador, que na Quinta das Virtude, na Rua dos Fogueteiros, possuía uma imensa colecção de camélias. Num catálogo, Loureiro afirmava que no seu viveiro, além de outras espécies, podiam encontrar-se mais de 750 variedades de primeira ordem. "A nossa colecção não tem rival em Portugal e na Península", garantia, com orgulho, o horticultor e jardineiro multiplicador.

Além do viveiro na Quinta das Virtudes, no finais do século XIX, Alberto Pimenta aconselhava ao viajante de passagem pelo Porto que, se pretendesse contemplar outra coleção de assinalável qualidade, visitasse a quinta do "senhor visconde de Vilar Allen".

Mais de um século depois, a Quinta d'Allen - porque as camélias "preferem florir em sítio onde possam escutar o murmúrio do agreste e às vezes melancólico Douro - continua a ser uma referência para os admiradores dos arbustos e árvores que, como as magnólias, escolheram o fim do Inverno para exibirem as flores de diversas cores: desde a brancura plena ou mais rubro dos rubros.

E esse ressurgimento da imensa coleção de camélias, nos jardins e no bosque da quinta, junto ao Palácio do Freixo, deve-se à paciência de Isaura Allen. Tudo começou com uma dúvida: há sete anos, Isaura visitou uma exposição de camélias no Mercado Ferreira Borges, no Porto, e a dada altura o nome de uma das flores expostas era-lhe verdadeiramente familiar: "Camélia Alfredo Allen".

De volta a casa, Isaura Allen percorreu o jardim e o bosque à procura da árvore. Aprofundou a pesquisa e descobriu que o nome Allen aparecia associado a outras camélias - variedades criadas e apuradas por familiares remotos. Isaura Allen, que ainda não conseguiu identificar todos os exemplares da coleção existentes na quinta, alargou agora a pesquisa e pretende fazer um levantamento das restantes camélias portuguesas.

"Há inúmeras camélias nascidas no Porto, criadas no Porto, são portanto um património da cidade que terá de ser preservado", sublinha Isaura Allen, que insistiu com a autarquia portuense para voltar a expor as flores, como noutros tempos, no Mercado Ferreira Borges. O futuro da árvore de folha luzidia, acredita , parece agora garantido. "Há um reviver da jardinagem e do culto da camélia."

Associada a critérios de elegância e aristocracia - como lembram Veiga Ferreira e Maria Celina, em O Mundo da Camélia -, perdeu muito da sua popularidade pelos fins século XIX . Mesmo assim, soube iludir a crise, o esquecimento: "Nada a fez desistir de florir entre as ruínas de castelos, casas solarengas e jardins de casas antigas."

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Camélia na Música Brasileira - Você se lembra desta marchinha carnavalesca?

Ó Jardineira porque estás tão triste?

Mas o que foi que te aconteceu?

Foi a camélia que caiu do galho

Deu dois suspiros

E depois morreu

 

Vem jardineiro, vem meu amor

Não fiques triste que este mundo é todo teu

Tu és muito mais bonita

Que a Camélia que morreu


Camélia

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